Como começar a investir? Um guia para quem quer entender antes de escolher

Como começar a investir do zero? Entenda os principais tipos de investimentos, riscos, prazos e como tomar decisões com mais consciência e tenha acesso ao nosso Manual.

PATRIMONIO

Sentiora

10/1/20268 min ler

Talvez você tenha chegado a esta pergunta depois de uma pequena vitória.

Você conseguiu organizar sua vida financeira. Talvez tenha diminuído algumas despesas, aumentado a renda ou simplesmente aprendido a prestar mais atenção ao dinheiro que entra e sai.

Depois, veio outra etapa: sair das dívidas.

E, quando finalmente existe algum dinheiro guardado, aparece uma pergunta nova:

E agora? O que eu faço com esse dinheiro?

É nesse momento que muita gente começa a ouvir palavras como renda fixa, ações, fundos, Tesouro, dividendos, juros, risco, liquidez.

De repente, aquilo que parecia ser apenas uma questão de guardar dinheiro parece ter virado uma matéria inteira para estudar.

E talvez seja justamente aí que algumas pessoas desistam antes mesmo de começar.

Não porque não tenham capacidade de aprender.

Mas porque existe uma diferença enorme entre querer investir e se sentir preparado para investir.

Investir não começa escolhendo um investimento

Quando alguém pergunta “qual é o melhor investimento para começar?”, parece que está fazendo uma pergunta objetiva.

Mas, antes dela, existem outras.

Para que é esse dinheiro?

Quando você pretende precisar dele?

Você poderia precisar dele de repente?

Quanto de oscilação você conseguiria suportar sem entrar em desespero?

Você entende onde está colocando seu dinheiro?

Essas perguntas importam porque um investimento não pode ser analisado apenas pela possibilidade de ganhar mais.

É preciso olhar também para risco, liquidez e rentabilidade — três características fundamentais na compreensão de um investimento.

Por isso, começar a investir não deveria significar correr para encontrar uma aplicação.

Deveria significar começar a entender o que você está fazendo.

Guardar dinheiro e investir não são exatamente a mesma coisa

Existe uma confusão comum entre guardar dinheiro e investir.

Guardar pode significar simplesmente separar uma quantia para não gastá-la.

Investir significa aplicar esse dinheiro com a expectativa de obter uma remuneração ao longo do tempo.

O Banco Central diferencia justamente a poupança — a parcela da renda que não foi consumida — do investimento, que é a aplicação dos recursos poupados com expectativa de remuneração.

Isso parece uma diferença pequena.

Mas muda a pergunta.

Quando você está apenas tentando formar uma reserva, a preocupação principal pode ser ter segurança e acesso ao dinheiro quando precisar.

Quando começa a pensar em objetivos de prazo maior, outras características podem ganhar importância.

É por isso que dinheiro para uma emergência não deveria ser tratado da mesma maneira que dinheiro destinado a um objetivo que só acontecerá muitos anos depois.

Antes de pensar em fazer o dinheiro crescer, é preciso saber qual dinheiro está disponível para crescer.

A reserva financeira vem antes de muita coisa

Imagine que uma pessoa tenha conseguido guardar R$ 5.000.

Ela começa a pesquisar investimentos e encontra uma possibilidade que parece muito mais rentável do que deixar o dinheiro parado.

Só que, duas semanas depois, acontece uma emergência.

Ela precisa de parte daquele dinheiro imediatamente.

O problema, então, deixa de ser a rentabilidade.

Passa a ser:

“Consigo acessar meu dinheiro quando preciso?”

É por isso que a reserva financeira ocupa um lugar importante na organização das finanças pessoais.

Nós já falamos sobre isso no artigo [Como criar uma reserva financeira?].

A reserva não existe para impressionar ninguém.

Ela existe para diminuir a distância entre um imprevisto e a necessidade de recorrer novamente a dívidas.

Depois que essa base começa a existir, a conversa sobre investimentos pode ficar mais interessante.

Porque você não está colocando todo o dinheiro que tem em uma decisão que pode precisar desfazer amanhã.

Mas afinal, quais são os tipos de investimento?

É aqui que muita gente se perde.

Não porque os conceitos sejam impossíveis, mas porque eles costumam ser apresentados com uma quantidade enorme de termos técnicos.

De maneira simplificada, podemos começar separando os investimentos em dois grandes grupos:

Renda fixa

Na renda fixa, existem regras previamente definidas para a remuneração do investimento.

Isso não significa que todo investimento de renda fixa seja automaticamente livre de riscos ou que todos tenham as mesmas características.

Existem diferentes emissores, prazos, formas de remuneração, condições de resgate e riscos.

Por isso, “renda fixa” não significa simplesmente “dinheiro garantido”.

É preciso entender quem está emitindo, como funciona a remuneração, quais são as condições e quais riscos existem.

Renda variável

Na renda variável, os preços podem oscilar e o resultado não é previamente conhecido da mesma maneira.

Ações são um exemplo conhecido.

Você pode comprar um ativo por determinado valor e, posteriormente, ele estar valendo mais ou menos.

Essa possibilidade de oscilação faz parte da natureza desse tipo de investimento.

E aqui aparece uma palavra que quem está começando precisa aprender a respeitar:

risco.

Não como motivo para nunca investir.

Mas como algo que precisa ser compreendido antes de colocar dinheiro.

A própria CVM destaca a importância de conhecer os riscos envolvidos nos investimentos e de desenvolver uma tomada de decisão consciente e bem informada.

O investimento que parece ótimo pode não ser ótimo para você

Essa talvez seja uma das coisas mais importantes para quem está começando.

Um investimento pode ser adequado para uma pessoa e inadequado para outra.

Imagine duas pessoas.

Uma tem dinheiro que pretende usar daqui a alguns meses.

A outra está pensando em um objetivo para daqui a quinze anos.

Mesmo que as duas tenham exatamente a mesma quantia disponível, elas não estão diante da mesma decisão.

O prazo muda.

A necessidade de liquidez pode mudar.

A capacidade de suportar oscilações pode mudar.

O objetivo muda.

Então, quando alguém pergunta:

“Qual investimento é melhor?”

talvez uma pergunta mais útil seja:

“Melhor para qual objetivo, em qual prazo e para qual pessoa?”

Essa mudança de perspectiva evita que investir vire uma competição para descobrir quem encontrou a maior rentabilidade.

E se eu tiver medo de perder dinheiro?

Esse medo não precisa ser tratado como falta de coragem.

Na verdade, ele pode ser um sinal de que você ainda precisa entender melhor aquilo que está prestes a fazer.

Existe uma diferença entre medo por desconhecimento e percepção de risco.

No primeiro caso, estudar pode ajudar.

No segundo, o estudo pode confirmar que determinada escolha realmente não combina com aquele momento da sua vida.

O problema não é ter medo.

O problema seria colocar dinheiro em alguma coisa apenas porque alguém prometeu que você “vai ganhar muito”.

Quanto menos você entende um investimento, maior deveria ser sua disposição para parar e pesquisar antes de decidir.

Não comece pelo dinheiro. Comece pelo conhecimento.

Pode parecer estranho dizer isso em um artigo sobre investimentos.

Mas talvez seja justamente o ponto mais importante.

Você pode começar a aprender sem investir imediatamente.

Pode entender conceitos.

Comparar características.

Ler sobre riscos.

Aprender a identificar custos.

Entender o que significa liquidez.

Conhecer os diferentes tipos de investimentos.

E só depois decidir se está preparado para colocar dinheiro.

A CVM mantém materiais educacionais justamente com esse objetivo: ajudar investidores a compreender produtos, serviços, riscos e aspectos que influenciam suas decisões.

Isso também ajuda a separar duas coisas que costumam ser confundidas:

aprender sobre investimentos e seguir uma recomendação de investimento.

São coisas diferentes.

Você não precisa transformar a opinião de outra pessoa em uma decisão sua.

Cuidado com a comparação

Existe outro fenômeno acontecendo ao redor dos investimentos.

Você vê alguém falando que ganhou dinheiro com determinada aplicação.

Depois aparece outra pessoa mostrando uma carteira.

Outra fala sobre dividendos.

Outra sobre liberdade financeira.

Outra sobre como conseguiu multiplicar o patrimônio.

E, sem perceber, você começa a olhar para o seu próprio dinheiro como se estivesse atrasado.

Mas investimento não deveria ser uma corrida.

Você não sabe toda a história financeira de quem está mostrando apenas o resultado.

Não sabe quanto dinheiro aquela pessoa tinha antes.

Não sabe quanto risco assumiu.

Não sabe quais perdas aconteceram pelo caminho.

E, principalmente, o objetivo financeiro dela pode ser completamente diferente do seu.

Comparar patrimônios costuma produzir ansiedade.

Compreender o próprio patrimônio produz informação.

Começar pequeno também é começar

Talvez você imagine que investir só faça sentido quando houver uma grande quantia.

Não necessariamente.

Mais importante do que começar com uma quantia impressionante pode ser desenvolver a capacidade de entender o processo.

Quanto dinheiro você consegue separar?

Qual é o seu objetivo?

Qual é o prazo?

Quanto desse dinheiro precisa permanecer disponível?

Que tipo de risco você compreende?

O que você ainda não sabe?

Essas perguntas constroem uma relação mais consciente com o dinheiro.

E existe uma diferença importante entre começar pequeno e começar sem entender.

O primeiro pode ser uma forma de aprendizagem.

O segundo pode transformar aprendizado em prejuízo.

O que você precisa saber antes de investir?

Não existe uma lista mágica que transforme alguém em investidor experiente.

Mas existe uma base que vale a pena construir.

Você deveria conseguir explicar, com suas próprias palavras:

Onde estou colocando meu dinheiro?

Como esse investimento pode gerar retorno?

Quais são os riscos?

Quando posso precisar desse dinheiro?

Consigo resgatar quando precisar?

Existem custos ou impostos que preciso considerar?

O que pode fazer o valor diminuir?

Eu realmente entendo essa decisão ou estou apenas seguindo alguém?

Se você ainda não consegue responder a essas perguntas, talvez o próximo passo não seja investir.

Talvez seja estudar.

E isso não significa estar parado.

Aprender também é uma forma de avançar.

Existe um momento em que investir deixa de parecer tão assustador

No começo, tudo parece complicado.

Depois você aprende que liquidez tem a ver com a facilidade de transformar um investimento em dinheiro.

Que risco não significa simplesmente “vai dar errado”, mas envolve a possibilidade de resultados diferentes dos esperados.

Que rentabilidade é o retorno obtido pelo investimento.

Que prazo importa.

Que objetivos importam.

Que diferentes investimentos possuem características diferentes.

E, principalmente, que você não precisa entender tudo de uma vez.

É parecido com aprender qualquer coisa nova.

Primeiro você reconhece algumas palavras.

Depois começa a entender as diferenças.

Em algum momento, aquilo que parecia um idioma desconhecido começa a fazer sentido.

O conhecimento vai diminuindo a sensação de estar completamente perdido.

Investir não deveria ser uma tentativa de ficar rico rapidamente

Existe uma promessa sedutora no universo financeiro:

“Faça seu dinheiro trabalhar para você.”

A frase parece maravilhosa.

Mas pode esconder uma expectativa perigosa: a de que investir seja uma maneira rápida de mudar de vida.

Investimentos podem fazer parte da construção de patrimônio, mas não eliminam a necessidade de planejamento, tempo, conhecimento e avaliação de riscos.

E quanto maior a promessa de retorno fácil e rápido, maior deveria ser sua disposição para investigar.

A CVM mantém, inclusive, materiais de educação e proteção do investidor voltados para compreender riscos e evitar decisões mal informadas.

Investir pode ser uma ferramenta.

Não precisa virar uma aposta.

Talvez sua primeira decisão seja não investir ainda

Essa pode parecer uma conclusão estranha para um artigo chamado Como investir para iniciantes?

Mas existe liberdade nessa possibilidade.

Você pode descobrir que ainda precisa terminar sua reserva.

Pode perceber que tem dívidas para resolver.

Pode entender que determinado dinheiro será necessário em pouco tempo.

Pode simplesmente concluir que ainda não conhece suficientemente o investimento que estava pensando em fazer.

E tudo bem.

A decisão de esperar até compreender melhor também é uma decisão financeira.

O importante é que ela seja sua.

Não de um influenciador.

Não de um amigo.

Não de alguém que prometeu uma rentabilidade extraordinária.

Seu dinheiro precisa estar acompanhado do seu entendimento.

Então, por onde começar?

Se você chegou até aqui esperando encontrar uma fórmula com “o melhor investimento para iniciantes”, talvez tenha percebido que a resposta é menos simples — e justamente por isso mais útil.

Comece conhecendo sua própria situação.

Entenda seus objetivos.

Mantenha uma base financeira.

Estude os conceitos fundamentais.

Conheça as diferenças entre os investimentos.

Observe risco, prazo, liquidez, custos e possibilidade de retorno.

E só então comece a decidir.

Não é preciso saber tudo para dar o primeiro passo.

Mas é importante saber o suficiente para entender o passo que você está dando.

Porque construir patrimônio não é apenas colocar dinheiro em algum lugar.

É aprender, pouco a pouco, a tomar decisões melhores sobre o dinheiro que você levou tempo para conquistar.

Para continuar essa investigação

Se você chegou até aqui pensando:

“Tudo bem. Agora eu entendi que preciso estudar. Mas por onde começo?”

Essa é justamente a próxima pergunta.

A Sentiora criou um material especial para quem quer aprender os fundamentos dos investimentos sem precisar atravessar um labirinto de termos financeiros.

[Manual Sentiora — Como começar a investir]

“Um material para entender, com linguagem simples, as principais diferenças entre os investimentos, os conceitos que você precisa conhecer antes de começar e as perguntas que deveria fazer antes de colocar seu dinheiro em qualquer aplicação.

Porque começar a investir não deveria significar começar no escuro.

Deveria significar começar entendendo.