Como Saber o Que Realmente Quero? Aprenda a Se Escutar

Como saber o que realmente quero? Entenda por que é tão difícil ouvir seus próprios desejos e descubra como diferenciar vontade de expectativa. Autoconhecimento,

AUTOCONHECIMENTO

Sentiora

9/3/20267 min ler

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Às vezes, a pergunta mais difícil não é "o que devo fazer?"

É:

"O que eu realmente quero?"

Parece uma pergunta simples.

Mas talvez você já tenha percebido como pode ser difícil respondê-la.

Você sabe o que precisa fazer.

Sabe o que seria mais seguro.

Sabe o que as pessoas esperam.

Sabe o que parece sensato.

Sabe até o que outras pessoas fariam no seu lugar.

Mas quando tenta olhar para dentro e perguntar o que você quer, a resposta não aparece com a mesma facilidade.

Talvez apareça um silêncio.

Ou várias respostas ao mesmo tempo.

Ou uma lista enorme de "deveria".

E talvez isso faça você pensar:

"Será que eu não sei mais o que quero?"

Talvez a questão seja outra.

Talvez você tenha passado tanto tempo respondendo às necessidades da vida que ficou difícil ouvir a própria vontade.

Quando o "eu quero" se mistura com o "eu deveria"

Desde muito cedo, aprendemos a fazer escolhas levando outras pessoas em consideração.

Isso faz parte da vida.

Precisamos considerar nossa família, nossas responsabilidades, nossa situação financeira, as consequências das nossas decisões.

O problema não está em considerar tudo isso.

O problema aparece quando o "deveria" ocupa tanto espaço que já não conseguimos escutar o "quero".

Você deveria escolher uma profissão segura.

Deveria ter estabilidade.

Deveria aproveitar determinada oportunidade.

Deveria pensar no futuro.

Deveria se comportar de determinada maneira.

Deveria estar em determinado lugar da vida.

Depois de ouvir essas mensagens durante anos, é possível começar a confundi-las com nossos próprios desejos.

E então surge uma pergunta difícil:

"Isso é realmente o que eu quero ou é o que aprendi que deveria querer?"

Nem todo desejo precisa fazer sentido para os outros

Existe uma pressão silenciosa para que nossos desejos sejam justificáveis.

Se você quer uma determinada carreira, precisa explicar por quê.

Se quer mudar de cidade, precisa apresentar razões.

Se quer estudar alguma coisa que parece pouco prática, precisa defender sua escolha.

Se quer diminuir o ritmo, alguém pode perguntar:

"Mas por quê? Você está tão bem."

Como se um desejo só fosse legítimo quando pudesse ser apresentado como um argumento racional.

Mas nem tudo aquilo que importa para nós cabe em uma justificativa.

Talvez você queira aprender alguma coisa simplesmente porque sente curiosidade.

Talvez queira trabalhar de uma maneira diferente porque precisa de mais autonomia.

Talvez queira uma vida mais tranquila.

Talvez queira criar alguma coisa.

Talvez queira voltar a fazer algo que abandonou há muitos anos.

Nem todo desejo precisa parecer grandioso.

Uma vida com sentido não precisa necessariamente parecer impressionante para quem está olhando de fora.

E se você estiver tentando descobrir o que quer olhando para outras pessoas?

A comparação pode tornar essa pergunta ainda mais difícil.

Você olha para alguém e pensa:

"Eu também queria isso."

Mas será que queria?

Ou queria a sensação que imagina que aquela pessoa tem?

Talvez você não queira exatamente o trabalho dela.

Talvez queira a liberdade que enxerga.

Talvez não queira a vida daquela pessoa.

Talvez queira o reconhecimento que ela recebe.

Talvez não queira o relacionamento que ela tem.

Talvez queira sentir que também é desejada, escolhida ou importante.

Isso muda a pergunta.

Em vez de:

"Por que eu não tenho o que essa pessoa tem?"

podemos perguntar:

"O que exatamente aquilo desperta em mim?"

Às vezes, a comparação não mostra aquilo que queremos possuir.

Mostra uma necessidade que ainda não conseguimos nomear.

Saber o que você não quer também é uma forma de clareza

Existe uma expectativa de que, para saber o que queremos, precisamos ter uma visão clara do futuro.

Mas nem sempre funciona assim.

Às vezes começamos pelo contrário.

"Eu sei que não quero continuar dessa maneira."

Isso já é informação.

Talvez você não saiba qual profissão deseja.

Mas sabe que não quer mais trabalhar naquele ambiente.

Talvez não saiba onde gostaria de morar.

Mas sabe que não quer continuar vivendo naquela rotina.

Talvez não saiba exatamente o que deseja fazer da vida.

Mas sabe que não quer passar os próximos anos repetindo os mesmos dias.

A clareza pode surgir por aproximações.

Descobrimos um pouco do que queremos quando conseguimos identificar aquilo que já não queremos mais.

O que faz você se sentir mais viva?

Essa pergunta pode parecer abstrata.

Mas vale observá-la na vida cotidiana.

Existem momentos em que você percebe que está mais presente.

Uma conversa.

Um projeto.

Um livro.

Uma atividade.

Uma descoberta.

Uma viagem.

Um problema que você gosta de resolver.

Uma pessoa com quem você consegue ser você mesma.

Uma tarefa que faz o tempo passar mais rápido.

Esses momentos não são necessariamente pistas de uma "vocação".

Mas podem revelar alguma coisa sobre o que desperta seu interesse, sua energia ou seu senso de significado.

Em vez de perguntar apenas:

"O que eu quero fazer?"

talvez seja interessante perguntar:

"Como eu quero me sentir enquanto vivo?"

Quero me sentir livre?

Útil?

Criativa?

Tranquila?

Desafiada?

Conectada?

Independente?

Segura?

Aprendendo?

Cuidando?

Essas respostas podem dizer muito sobre o tipo de vida que você deseja construir.

O que você escolheria se ninguém estivesse olhando?

Essa talvez seja uma das perguntas mais reveladoras.

Imagine, por alguns instantes, que ninguém pudesse avaliar sua escolha.

Ninguém ficaria impressionado.

Ninguém ficaria decepcionado.

Ninguém faria comentários.

Ninguém saberia quanto você ganha.

Ninguém saberia se sua escolha parece bem-sucedida.

O que você escolheria?

Não é uma pergunta para ignorar responsabilidades ou consequências reais.

É uma maneira de perceber quanto da sua vontade está sendo influenciada pelo olhar externo.

Porque, às vezes, não queremos necessariamente determinada coisa.

Queremos ser vistos como alguém que conseguiu determinada coisa.

E são desejos diferentes.

Mas e quando o que eu quero parece impossível?

Essa também é uma dificuldade.

Podemos aprender a censurar nossos desejos antes mesmo de examiná-los.

"Não adianta querer."

"Isso não é para mim."

"Já passou da minha idade."

"Não tenho dinheiro."

"Não tenho capacidade."

"Minha vida não permite."

Talvez algumas dessas limitações sejam reais.

Mas existe uma diferença entre:

"Isso é difícil"

e

"Isso é impossível."

Antes de transformar uma vontade em uma impossibilidade, talvez valha a pena investigá-la.

O que exatamente você deseja?

O que seria necessário?

O que depende de você?

O que não depende?

Existe uma versão menor ou diferente desse desejo que seja possível experimentar?

Às vezes descobrimos que o sonho original não era exatamente aquilo que precisávamos.

E, outras vezes, descobrimos que havia mais possibilidades do que imaginávamos.

Querer alguma coisa não significa precisar escolhê-la imediatamente

Descobrir um desejo não cria automaticamente uma obrigação.

Você pode perceber que gostaria de mudar de profissão sem pedir demissão amanhã.

Pode descobrir que gostaria de estudar sem precisar abandonar tudo para isso.

Pode desejar mais liberdade sem saber ainda como construí-la.

Pode sentir vontade de começar alguma coisa nova sem ter certeza de onde aquilo vai chegar.

Isso é importante porque muitas pessoas evitam reconhecer o que querem justamente porque acreditam que, depois de admitir o desejo, terão que tomar uma decisão.

Mas reconhecer uma vontade e tomar uma decisão são coisas diferentes.

Primeiro podemos escutar.

Depois investigar.

Só então decidir.

Talvez você tenha medo de descobrir o que realmente quer

Existe uma ironia nessa pergunta.

Às vezes dizemos que queremos saber o que queremos.

Mas uma parte de nós pode ter medo da resposta.

Porque, se descobrirmos, talvez não consigamos mais fingir que não sabemos.

Se percebermos que queremos mudar, talvez precisemos enfrentar uma mudança.

Se percebermos que estamos insatisfeitos, talvez não consigamos mais ignorar a insatisfação.

Se descobrirmos que estamos vivendo para agradar outras pessoas, talvez precisemos estabelecer limites.

Por isso, a falta de clareza nem sempre é apenas falta de informação.

Às vezes, também é uma forma de proteção.

Enquanto não sabemos o que queremos, não precisamos escolher.

E enquanto não escolhemos, não precisamos enfrentar as consequências da escolha.

Você não precisa descobrir a resposta inteira

Talvez exista uma expectativa injusta de que precisamos saber exatamente onde queremos chegar.

Qual profissão.

Qual cidade.

Qual relacionamento.

Qual projeto.

Qual futuro.

Mas a vida raramente oferece esse tipo de mapa.

Às vezes sabemos apenas o próximo passo.

E isso pode ser suficiente.

Você pode saber que quer aprender.

Então procure um curso.

Pode saber que precisa de mais autonomia.

Comece a investigar possibilidades.

Pode perceber que sente falta de criar.

Volte a criar alguma coisa.

Pode descobrir que está cansada de viver no automático.

Comece prestando atenção à sua rotina.

Clareza não precisa chegar como uma revelação.

Ela pode ser construída através da experiência.

Você experimenta.

Observa.

Aprende.

Descarta.

Aproxima-se.

Muda de ideia.

E continua.

Algumas perguntas para começar a escutar sua própria vontade

Talvez você não precise responder todas.

Algumas podem apenas acompanhar você durante os próximos dias:

O que eu faria se não precisasse provar nada para ninguém?

O que sinto falta de fazer?

O que desperta minha curiosidade?

Que tipo de vida admiro — e o que exatamente admiro nela?

O que estou fazendo apenas porque acredito que deveria?

O que eu escolheria se tivesse menos medo de decepcionar outras pessoas?

O que eu não quero mais repetir?

Em quais momentos sinto que estou sendo verdadeiramente eu?

E uma pergunta especialmente importante:

Se eu soubesse que ninguém iria me julgar, o que eu teria coragem de admitir que desejo?

Talvez a resposta não venha imediatamente.

Tudo bem.

Algumas respostas precisam de silêncio para aparecer.

Descobrir o que você quer também é descobrir quem você está se tornando

Nossos desejos não são uma lista fixa.

O que você queria dez anos atrás pode não ser o que deseja hoje.

E isso não significa que você esteja perdida.

Significa que você mudou.

Talvez algumas escolhas tenham feito sentido para uma versão anterior de você.

Agora, outra versão está começando a aparecer.

Isso pode ser desconfortável porque significa rever certezas que pareciam definitivas.

Mas também existe liberdade nisso.

Você não precisa permanecer fiel a uma versão antiga de si mesma apenas porque passou muito tempo tentando chegar até ela.

Talvez a pergunta não seja "o que eu quero da vida?"

Essa pergunta pode ser grande demais.

Talvez seja melhor começar menor.

O que eu quero mais na minha vida?

O que quero menos?

O que quero experimentar?

O que quero preservar?

O que quero deixar para trás?

A partir dessas perguntas, alguma coisa começa a ganhar forma.

Não necessariamente uma resposta definitiva.

Mas uma direção.

E talvez seja isso que estamos procurando.

Não uma certeza absoluta sobre o futuro.

Uma direção que faça sentido para o presente.

Porque descobrir o que realmente queremos não é encontrar uma resposta perfeita escondida dentro de nós.

É aprender a reconhecer nossas necessidades, nossos valores, nossos desejos e também os medos que tantas vezes falam mais alto do que eles.

E talvez, depois de começar a ouvir a própria voz, você perceba outra coisa:

é muito difícil saber o que queremos quando passamos tanto tempo olhando para o que os outros estão fazendo.

E então surge uma nova pergunta:

Por que me comparo tanto com outras pessoas?